Um Dedo de Prosa
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    Eduardo Valente, 8 de fevereiro de 2000
    Em janeiro fomos pescar em Cananéia e a previsão era de ficarmos na Ilha do Bom Abrigo, de onde voltaríamos somente no domingo. Era madrugada de sábado e no Mar Pequeno, protegido pela Ilha Comprida e pela Ilha do Cardoso, a água parecia um espelho e o céu anunciava um belíssimo dia, o que nos valeu muita esperança na pescaria...

    Quando entramos na barra, que é a faixa de mar entre a Ilha Comprida e a do Cardoso, tudo mudou! O que era espelho se tornou em ondas de dois a três metros que algumas centenas de metros à frente espumavam e ameaçavam a integridade de qualquer louco que se aventurasse ali. Em dado momento, quando as ondas faziam as cinco toneladas de barco pinotearem feito cavalo bravo e todos estavam apreensivos sobre a possibilidade de enfrentar tais ondas, o barqueiro sentenciou que deveríamos voltar, porque a barra estava fechada.

    Ficamos a pescar no mar pequeno e tentamos passar a barra no domingo, obtendo o mesmo resultado. Realmente, nenhum homem pode com o mar!

    Nenhum? E aquele episódio narrado nos evangelhos em que um bando de homens feitos tremiam de medo num mar como este e um deles continuava a dormir no fundo do barco? E quando o acordaram? Com um simples gesto, as milhares de toneladas de água e o vento furioso se acalmaram, reconhecendo poder maior?

    E nós, homens de pequena fé que somos, saímos dessa admirando mais e mais este Deus feito gente, de nome Jesus, a quem tudo obedece. Inconformados com os bagres e baiacus que ficamos a pescar.

    Como diz aquela música? "Se diante de mim não se abrir o mar, Deus vai me fazer andar por sobre as águas"... Numa simples leitura da natureza, o Segundo Livro de Deus, faz-nos refletir sobre bravatas como estas que ficamos a cantarolar...

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