Um Dedo de Prosa
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    Eduardo Valente, 13 de abril de 2000
    Não me lembro o dia do meu Descobrimento, e por isso mesmo posso comemorar todos os dias, mas vamos supor que fosse... digamos... 22 de abril?

    Era um dia que parecia como qualquer outro dia, comum até deixar de ser, como são os dias especiais. Nada à vista, apenas as coisas de sempre, quando de repente...

    Homem à vista!!! Dizia eu de primeira, porque era fato: aquele personagem era um homem! Chorava, se machucava, ficava bravo. Passava fome e frio, suava e até se cansava. Não restava nenhuma dúvida! Aquele tal de Jesus era um homem, e como todo homem é uma ilha, mesmo sendo grande, não podia transformar um dia comum num dia especial...

    Deus à vista!!! Pela conversa de outras pessoas, descobri que esse Jesus era na verdade um deus, quer dizer, não um deus qualquer, mas O Deus, com D maiúsculo e em negrito. Era o mesmo que tinha feito o céu, o mar, as estrelas, os peixinhos, você e eu. Mas... algo faltava... mesmo este Jesus-Deus não era suficiente para fazer meu dia especial! Havia algo de distante em pensar num Deus tão poderoso, que não iria perder um segundo de seu tempo com alguém tão insignificante como eu...

    Meio triste, meio desiludido, dei uma última olhada para este Jesus e não vi um Deus, nem um homem. Que esquisito! Era as duas coisas ao mesmo tempo... Preocupando-se com o todo e com os mínimos detalhes (como eu), era um deus-gente, que sendo gente sabia o que a gente sentia e sendo Deus, podia resolver nossos problemas...

    Jesus à vista!!! Comecei a descobrir os recantos deste Deus feito gente, a apreciar seus mínimos gestos, como fazer bater meu coração dia após dia, tum-tum após tum-tum...

    No dia do descobrimento de Jesus, avistei em meio a um oceano de dúvidas e anseios, não um monte, mas o Cordeiro Pascal, encontrei um Porto Seguro, a história da vera cruz, encontrei uma terra prometida, onde habitar. Nestes quinhentos anos de Brasil, seu aniversário confundiu-se com a Páscoa, que confundiu-se com o mártir Tiradentes, que morreu neste ano na sexta-feira santa...

    No dia do descobrimento de Jesus, quem se descobriu fui eu mesmo, como um ser destinado a amar a este Deus feito gente, destinado a passar não quinhentos, nem mil anos, mas toda uma eternidade neste oceano de amor que é Jesus.

    Terra Prometida à Vista!!! O sonho de todo náufrago como eu fui, encontra-se Nele. Feliz aniversário, Brasil, porque você merece. Oro pelo seu segundo descobrimento, para ser conhecida como Terra de Todos Os Santos.

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