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  • Filipe Lago e Vitor Riachinho
    Eduardo Valente, 26 de março de 2007
    Porque irmãos se cuidam, feito os Filipes e os Vítores...

    Tenho dois sobrinhos, filhos da Vanessa, minha irmã. O mais velho se chama Filipe e o mais novo, Vitor. Até aí, nada de mais, pois tem um monte de gente que também têm dois sobrinhos, filhos da irmã. Então, o por quê do título?

    Bem, eu moro em uma chácara, onde fiz recentemente um laguinho de contenção, que serve para reter um pouco da enxurrada que toda chuva forte cisma de fazer passar por dentro de casa, que faz um escarcéu e depois vai embora, como se nunca tivesse passado por ali.

    Como água é um bem precioso, resolvemos fazer o tal laguinho, que nada mais é do que um buraco no chão, sem nascente nem nada, mas que quando a enxurrada passa, um pouco dela ( uns quarenta mil litros, chutando... ) fica ali, como testemunho. Aquela terra que o sol seca depois da chuva, agora fica molhada...

    Quando o Filipe viu pela primeira vez o tal laguinho, gostou tanto porque era rasinho e qualquer criança de seis anos poderia se divertir prá valer aí, que se atirou só de cueca no laguinho e fez tanta, mas tanta bagunça, que resolvemos batizar o lago com o nome dele! Então temos agora dois Filipes: o Filipe Valente e o Filipe Lago.

    Do lado deste lago temos uma grota onde, por alguns meses do ano, brota uma nascente bem fraquinha que vai abastecer os lagos grota abaixo. Normalmente, surgem em março e em finzinho de maio já foram embora. São bem fraquinhas, mas servem ao seu propósito, de renovar a paisagem e a esperança das plantas e árvores de dentro da grota.

    Este ano foi diferente! O riachinho formado pelas nascentes apareceu logo em janeiro e ficou forte, não deixando a gente andar pela grota sem molhar os pés no barro e fazendo os lagos abaixo jogarem aquela agüinha gelada gostosa de escutar, de pôr os pés dentro, de simplesmente ver, uma coisa bonita mesmo...

    Pouco tempo depois de batizarmos o laguinho, o Filipe voltou em casa e, depois de ver o riachinho surgido "do nada", teve a brilhante idéia de batizar o nome do tal riachinho com o nome do irmão. Sugestão acatada, agora também temos dois Vitores: o Vitor Valente e o Vitor Riachinho.

    Na última vez que o Pipe veio em casa, trouxe um amigo e ficou decepcionado com o lago seu xará! Estava feio, porque fazia tempo que não chovia, e quase seco. Em compensação, o Vitor Riachinho continuava esbanjando água, feliz da vida.

    Este foi um daqueles momentos que a gente consegue ler, nem que seja por um relance apenas, o livro da natureza e tirar uma lição importante, que me fez escrever este texto:

    Tudo se relaciona e, assim como os Filipe e Vitor humanos, seus xarás aquáticos também cuidam um do outro. O maior às vezes se desgasta em ajudar o menor, mas protege a base onde o menor se fortalece, no caso aquático, o laguinho de contenção serviu para reforçar, e muito, lençol freático e por consegüinte, o riachinho. O lago, por sua vez, mesmo cansado, sabe que à primeira chuva vai ficar forte de novo e que o irmão menor vai deixar tudo mais bonito, cheio de árvores, de bichos e de gente que goste de irmãos tão legais assim.

    Tomara que sempre haja Filipes e Vitores assim pelo mundo, porque o que é bom a gente quer mesmo é que tenha de montão, né?

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