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    Eduardo Valente
    Vejo passos na areia: alguém passou por aqui.

    Vários passos eu vejo. Passos curtos, passos largos, passos tortos, passos infantis, passos indecisos, passos passados.

    A chuva acabou faz tempo e não quero que ela volte, mas quem sou eu? O céu está cada vez mais escuro e continuo, da soleira da porta a vigiar os passos do mundo...

    Um pouco adiante alguém escorregou, já à esquerda um casal passou há pouco (os passos não mentem). As crianças brincaram de pique e policiais, com seus passos agressivos, patrulharam há pouco por aqui.

    O céu escurece cada vez mais e as nuvens, cinzas e enormes, pairam pesadamente sobre a cidade (também cinza).

    Perto de mim vejo rastros de pneu (ou passos de carro) e um cachorro a correr atrás. E os passos me delatam e me fascinam. Perto do poste, passos bêbados se cruzam e se chocam.

    Agora há somente passos, pois seus donos já se foram, e a esta hora devem estar tentando escapar da chuva que vem aí.

    Um pingo. Outro. Mais um. E a chuva começa sua doce tarefa de limpar mundo de passos passados e prepará-lo para o futuro.

    E da janela da frente de casa, fico esperando passar a chuva para poder, com meus passos, saudar o futuro. Agora presente...

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